agarro-me
às pétalas caídas de tuas flores
luto
para cavalgar os insetos
busco domar
os bravos rios e as chamas
vejo e
aprendo com o planar dos pássaros
porém
quebro-me como onda ao chegar à praia
sob o
mar faço castelo de areia
na
terra faço fortaleza de chamas
espalho
velas em vigília pela esquina
domo
os fantasmas e sombras no pensamento
no
entanto sufoco-me sob longas palavras
hei de
voar tranquilo entre falcões e águias
os
tigres e lobos conhecem-me
venenos
de naja e escorpião não me vencem
a tudo
resisto pois não me importo
porém
o tremor que habita em minha veia
é este
querer que consome a alma
aperta-me
o pescoço e turva os sentidos
ensina-me
a lidar com o fulgor de uma rosa
a vida
feriu-me demais entre tantos espinhos
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