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domingo, 29 de dezembro de 2013

Quem?

Quem pode conviver com o medo da vida?
Quem pode imaginar mundos de solidão?
Quem sabe o que nos aguarda todos os dias,
Quem consegue dizer pra mim o sim e o não?
Quem pode dizer que só teve alegrias,
Quem sabe se as causas estão perdidas?
Quem tem a resposta pros nossos problemas,
Quem defende sua causa e seus emblemas,
Quem não desconfia da sua razão?
Quem nunca se sentiu atravessando o mar,
Quem nunca achou que morreu na praia?
Quem nunca rejeitou a sua laia,
Quem sabia de quem iria, tanto, precisar?
Quem, por acaso, nunca se acovardou,
Quem nunca sentiu o medo nas veias?
Quem nunca explodiu, jamais, em raiva?
Quem nunca sentiu o tempo fluir, como areia,
Quem nunca sentiu, da dor, a saraiva?
Quem nunca viu no fim da luz a escuridão?

- Quem nunca mergulhou no coração!


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Redenção

Em qual Éden nos perdemos, em qual Jardim nos oprimiram?
Quantas cruzes já carregamos?
Talvez olhando para trás, pudéssemos ver nossos passos,
Através de tempo e das estrelas, entre a eternidade e os mistérios.
Talvez quiséssemos mudar as coisas...
Mas então saberíamos que tinha de ser assim.
Talvez nosso maior acerto viva entre nossos erros –
Sempre podemos escolher o caminho.
Pelos pregos e pelas lanças, pelas coroas e pelo sangue,
Novamente temos chance de viver lado a lado,
Num lugar que sabemos ser melhor.
Somos cegos cruzando o oceano;
Não acreditamos em destino ou sorte.
Misericórdia queremos e não a morte!
Pensamos em Teu sangue a cada pecado, sabemos ser culpados de tuas feridas.
A vida é luta tão dolorida,
Pior é o mar que tens, por nós, enfrentado.
Os cravos da dor em tuas palmas me lembram da minha carne e espinhos.
Nesses mares sei que não estamos sozinhos;
Na tempestade, nos conduz com terna, eterna calma.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Ondas do Mar

Ondas
Que vêm

Ondas
Que vão...

Ondas
São como

O meu
Coração...

Peguei
Uma onda,

    Então!

Rio Em Queda

Rio
Que
Corre
Pelas
Pedras
Em queda
Oh!
Vem
Minha vida
Levar!


Espuma Sobre o Oceano

A juventude é como espuma sobre o oceano,
Deixa-se levar, desmancha-se pelo vento.
Assim nosso caminho é, sempre, diferente;
Os antigos sonhos se vão, mudam com os anos.

A mocidade é como uma visão, encantamento.
Planos, sonhos e desejos... Fôlego! De repente,
Os castelos, sobre a areia, vão se desmanchando.
Nossas paixões e sonhos desfeitos num momento...

Das chamas do desejo vêm as cinzas pela frente,
Que pelos ares vão ao chão se lamentando.
Com o passas dos dias devagar se enterram.
Mas haverá centelhas, ainda, a arder na mente?

Assim, como as conchas vazias se espalhando,
Podem esconder aos futuros, que tanto encerram?
Pois, se do destino então forem sementes,
Novas esperanças podem seguir, sim, verdejando.

Que a juventude seja o futuro de nossos planos.


Impermanência

Então as vitórias se derrotam na memória,
E as nossas pegadas se apagam, na areia.
Os novos tempos trazem, aos copos, tempestade.

Então o dia a dia sob as luzes da cidade
Vira um oceano a ferver em nossas veias,
Onde a tinta do destino reescreve a história.

Onde estavam os velhos sonhos de criança
Atrás dos quais brincávamos, a correr?
Onde estavam as velhas histórias sonhadas?

- Piratas! Herois! Amores pela madrugada!
A fogueira da juventude espalha cinza a perder
De vista, além dos tempos e da lembrança.

No espelho sobra uma distorcida imagem
Do passado, lutando, para se eternizar.
Velhos quadros, fatos, casas, como lembrança.

Na luta eterna entre desencanto e esperança
Somos peças num tabuleiro em eterno lutar.
Haverão oásis a nos salvar destas miragens?


Entre a Terra e as Estrelas

Entre a terra e as estrelas a eternidade,
Rios que correm entre o momento e o eterno.
Entre início e fim entramos nesta vida.

Entre vida e morte há amores e feridas,
Vaidades e dores entre as casas e cidades.
Entre os sentimentos verões e invernos.

Entre sol e lua desde a noite até o dia,
A única certeza é a dúvida, a mudança.
Areias e mares trocam sempre de lugar.

Se a mentira, e verdade, vivem a se alternar,
Como abandonar o que, antes se vivia?
Que flua, entre o real e razão, a esperança...

Caminhada

Então a caminhada pela verdade chegou ao fim.
Então os mares se abriram bem perto de mim.
Então a poeira da estrada baixou,
E as miragens se encerraram.

Então a última lótus se abriu entre as árvores,
E as vitórias régia, sobre a água, se afastaram.

Então os dados rolados mostraram os seus segredos,
Então as areias do tempo fluíram entre os meus dedos.
Então todos os falsos doutores baixaram a voz.
Foi quando por um momento todos estavam a sós.

E então foi que entendi o que sempre aprendi,
E, no entanto, nunca antes pude viver:

- Que todas as nossas respostas,
Que todas as nossas questões,
 Que todos os nossos medos,
Tudo o que enfrentamos desde cedo;

E todas as nossas soluções de nossas dúvidas,
impostas,
E enfim toda a nossa razão,
Está na voz de nossa própria mente.

E então digo: O que é que o coração sente?



Rio Correndo Pela Realidade

Toda fé é como um rio correndo pela realidade.
Leva pra longe as folhas e barcos de papel.
Carrega os homens pelo desconhecido,
Traz as mulheres para as florestas distantes.
Mostra às crianças e aos jovens a vida real.
No caminho somos pedras a rolar.
Viramos aos poucos canoas sem rumo,
Folhas a atravessar a correnteza selvagem.
Como saber as corredeiras que virão?
Como prever as cataratas sem cair?
Mas quanto mais viajamos pelos bosques,
Pelas matas e pelos prados,
Entre as luas e os sóis, entre as cavernas,
Podemos flutuar presos aos troncos da esperança
E olhar para os lados para as árvores,
Para as flores dos campos e frutas das copas,
As areias dos oásis e as lamas dos mangues.
Passar ilesos pelas feras da escuridão
No fim todos nos veremos nos mares da eternidade.
Tudo o que lá teremos e que nos restará:
As marcas no corpo, lembranças da gente...
Toda fé, toda crença, esperança nos levará,
Mas é o que nos leva que fica na mente.

Civilizações

E as estrelas embalam dos loucos a noite,
E a lua inspira suas doces canções.
E as antigas histórias se tornam verdade,
Em frente à fogueira das nossas vaidades.

E nos dados da sorte rolam as paixões
De mil condenados a eternos açoites:
Vivendo à margem de toda esta sociedade,

Embriagados do vinho da tal liberdade,
Longe das luzes seguras das nossas casas...

E as palmeiras embalam o selvagem moderno,
Vivendo tão longe desse nosso feudo.
Distantes dos reis de carinhos tão ternos,
Usando a violência pra afastar o medo.

Pois as tropas, os cavalos, as armas falam,
Preservando a paz nesses nossos dias
E nossas grades e portões, pois, logo calam
As bocas e vozes de quem ameaças fazia.

Não dá pra deixar de dizer que há algo errado,
Mas logo é melhor pois parar de pensar:
O problema é um novo mundo, livre, sonhado,
Ou a velha e segura realidade a nos dominar?

Segredos

Há mágoas secretas embaixo dos sorrisos,
E há sarcasmo embaixo de falsa paz...
Há tantas loucuras sob os nossos juízos;
Na face se confundem todos nossos sinais.

Há amantes que disfarçam o que há no coração;
Repousam solidões por baixo da história.
Tempestades em copo d’água caem sem solução,
Dentro das faces que a verdade escondiam

E nesses dias,
De sangue e glória,
Qual será nossa história
Nesses diários sombrios?

Por que é que, por vezes tentamos esconder
Tantos pesares, lágrimas, que inquietam a alma?
Por que é que atuamos num teatro, sem prazer,
Anestesiando doenças que nunca se acalmam?

Talvez porque tenhamos medo, ou aversão
Do que às vezes queremos tanto ser?
Talvez a verdade não nos dê solução;
Ou porque os segredos não nos causem prazer?

E nesses dias,
De ouro e trevas,
Quais são nossas reservas
Em tantas vidas vazias?

Mão e aranhas podem ser iguais;
A diferença está no nosso coração.
Dedos e garras podem ser diferentes;

A semelhança está na mente.
Há carícias de amor, raiva e solidão;
Causar uma guerra ou a paz...


sábado, 21 de dezembro de 2013

Páginas Que Não Quis Escrever

Páginas que não quis escrever,
conflitos que não quis narrar.
Choros que não quis derramar,
lembro que foi tudo aprender.

A vida me deu pouco a perder,
e, assim, sei que posso ganhar.
Quando a lágrima vem aflorar,
sei que eu ainda posso vencer.

Todos nós, uns cedo, ou tarde,
vamos sentir na pele o sofrer.
Tristeza, soluço, assim, ardem.

Mas cair nos leva a renascer,
com asas que voam, liberdade
de o destino poder escolher.

Consciência

No vento, ao longe, ouço que ecoa
leve, mas forte, sussurro de alerta
que, como uma ave, pelos céus voa.
Vai deixando qualquer alma inquieta.

Como neve, suave lágrima perdida
toca devagar, pelo nosso coração.
Em alguns, mostra e reabre feridas,
em outros, conforta e dá a direção.

A voz que ouço e soa agora no ar
é mansa, suave, tão terna, delicada,
sei que nem sempre por nós ouvida,

mas, sabemos, é capaz de nos guiar.
Oh! Esta é a Consciência, desprezada,
mas que faz tanta diferença, na vida.

Monstros Marinhos

Oh, monstros desse profundo mar,
devoram e derrubam aos navios.
deixam rastro de sangue a flutuar
como castigo comum a seu feitio.

Oh, trevas sob essa água salgada
cheias de ossos, corpos antigos.
Por feras cruéis, vis, tão infestadas
onde jazem aliados e seus inimigos.

De onde vêm tais medos e seres?
De onde vêm tamanha violência
e por que tais destinos, tão cruéis?

Eis que vêm dos pecados, prazeres,
maldades, segredos e indecência
voltando contra os que lhes são fiéis!

Um Grande Desafio

Não podemos errados estar,
fazendo o que é certo,
nem se pode querer acertar
deixando o erro por perto.

Não podemos alegria ter
se pagarmos o mal com mal,
se nós nunca pudemos ser
tão fiéis ao nosso ideal.

Quando olhamos no espelho,
quem está lá, o que nos diz
aquela figura desconhecida?

Grande desafio é, na vida,
viver honestamente, e feliz,
grato até cair de joelhos.

À Margem do Texto

À margem do texto, sou poeta
sem me preocupar com a vida
ou medo de, dentro da ferida
buscar a verdade tão dura, reta.

À margem do mundo sigo, feliz
e com um sorriso de quem vive,
longe de lugares onde já estive,
e de onde escapei por um triz.

Logo cedo, saboreio uma maçã
e do meu trabalho sigo a vida
aproveitando, sim, cada manhã.

Por que essa Terra é tão sofrida,
com tanto ódio e ambição vã?
A vida em paz é mais divertida...

Vida em Preto e Branco

A vida em preto e branco, sem cor
enquanto o tempo vai, sem parar
e nossos dias se vão... Por favor,
alguém nos dê cores pra sonhar.

A vida apagada, nesta fotografia
sozinha e solitária numa gaveta,
é de uma época de antiga alegria
que se perdeu agora, tão obsoleta.

Ah, nossa aurora de vida feliz,
juventude, força, tantos planos!
Tudo passa, o colorido se desfaz.

Mas sei que nunca teremos paz
ao pensar em futuros desumanos.
A cor da vida é Você quem diz.

Perdão

É tão difícil perceber
o quanto nós erramos,
e como nossos planos
deixamos, sem viver.

Sempre, por prometer...
Nós, pobres humanos
com o passar dos anos
tendemos a esquecer.

O caráter enfraquece,
a honra cai em vão,
e a visão desfalece.

Mas, ó grande emoção
é a do coração aquece
e se entrega ao perdão!

Mudança

A mudança é um desejo
de ver um melhor futuro,
sem ver nada ao redor,
é um passo no escuro.

A mudança é novo mundo,
surge dos nossos sonhos,
é um desejo tão profundo;
fugir da verdade medonha.

É preciso coragem e fé
para a vida evoluir, navegar
buscando melhores dias.

Aquele que antes sofria
hoje já pode imaginar
com um futuro, que vier.

O Meu Pensar

Não abro mão do meu pensar,
de todo o meu jeito de ser.
Na vida, sei, só haverá prazer
ao se fazer o que mais sonhar.

E não abro mão de imaginar
as coisas que gosto de fazer,
preenchendo todo o meu ser;
assim, viver com o que gostar.

Eu assumo ser quem eu sou.
Pois o mundo já me quis fazer
escravo; e quase me derrotou.

Difícil é o caminho a se trilhar
ao se viver do que se sonhou.
Mas, quem o faz, feliz será!

O Nosso Sentimento

O Medo é o melhor remédio
para os inimigos do Poder.
Pelas casas, e pelos prédios
vão, se entregam sem saber.

E a Dor é a melhor maneira
de se conseguir o que quer;
e descobre-se a vida inteira
de todo o que para cá vier.

Assim segue o nosso Regime,
com jugo de Ferro, maldade,
e traz ao povo o sofrimento.

Vivemos cercados de crimes;
nunca duvidemos da Verdade.

E qual é o nosso sentimento?

Antes de Tudo

Antes que a Poesia existisse,
antes que os Sons ecoassem,
que nossas Vidas cruzassem,
e em uma Aventura partissem,

antes que tanta Rotina viesse,
que os Sonhos se apagassem
e toda a Ferrugem chegasse
com o Tempo, que entristece,

antes da Tristeza, e da Alegria,
e sem ninguém dar respaldo,
como em uma Cena de Cinema,

houve o Olhar, e tanta Magia...
Viver nossa vida lado a lado:
Sei que ainda hoje Vale a Pena.

Destino Arredio

A vida é um carro sem freio
que nos ensina a acelerar.
A euforia vem a nos guiar,
e nos acolhe, em falso seio.

Assim, nos faz sentir poder,
ao corrermos pela estrada
sem se importar com nada,
apenas com o nosso prazer.

E vêm as curvas, e ladeiras
com seus cantos sombrios.
Cair nos deixa em pedaços.

Como, pois, de que maneira
fugimos, do destino arredio,
sem errar em nossos passos?

Tempo

O tempo é o maior dos presentes:
faz a mágoa secar, a dor sumir;
faz o nosso inimigo, sim, desistir,
leva embora um choro insistente.

O tempo, como um rio pela frente,
faz tudo, para longe, rodar, fluir:
faz-nos, devagar, voltar a sorrir,
traz bálsamo, alívio para a mente.

Mas o tempo nos traz impaciência,
a ansiedade da noite sem dormir,
e todo tédio, que parece sem fim.

E, como faca de dois gumes, sim,
seu efeito se faz, em nós, sentir:
Seu papel é nos dar a experiência.

Mendigos

A nossa vida é um caso sério,
nossa vida é uma alucinação.
Deixa na boca toda sensação
cercada de segredo, mistério.

A nossa vida é mera loucura
que a gente ganha no braço.
Não tem beijo e nem abraço,
nem tempo para a impostura.

Tudo intenso na pele sentimos:
se o tempo é ruim, choramos,
e se o tempo é bom, sorrimos.

Vivemos, e pouco, sonhamos;
sou Mendigo, e não fingimos:

Nossa vida já é sem planos.