uma
vez vimos juntos os frutos entre as videiras
os
efêmeros e breves rios de chamas
que se
uniam ao eterno mar de estrelas
onde
havia fogos em momentos tristes
e as
únicas lágrimas eram da alegria dos jovens
andamos
sobre as árvores da floresta escura
até
atingir o sol e a lua como guia
mas
por vezes fomos cegos e nos perdemos
apenas
pelo orgulho de seguir em frente
havia
víboras e escorpiões espalhados no caminho
mas
soubemos nos esconder nas cavernas
onde
havia surpresas de pedras coloridas
e
luzes intensas que pendiam do teto
por
vezes as pedras feriram nossos pés
espinhos
pelejaram cravados em nossos braços
por
qual motivo nos separamos nesta estrada?
talvez
porque tudo tornou-se fácil
não
havia mais aventura nem magia sob a aurora
o que
era azul viril tornou-se cinza cotidiana
era
púrpura e dourado e jaz sob a ferrugem
mas na
mente tudo o que sobra é a velha promessa
do
coração batendo no vazio da vida
e isso
basta para duas feras teimosas
- um
tigre e uma pantera que jazem
prontos
para uma caçada final na madrugada
uma
vez vimos juntos os frutos entre as videiras
e lá
aguardam eternos
morangos
e uvas pendendo ao alcance das mãos
para
despertar-nos como borboletas de fogo
desta
crisálida de chamas que se chama coração