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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

INOCENTES E INÍQUOS

Noite de paixões perigosas e crimes perversos
Lábios e dentes manchados de rubro sangue
Luzes disformes
Inebriam os sentidos na madrugada insone
Línguas ferinas acariciam destilando veneno
Enquanto os amantes se embriagam na saliva
Beijos que matam
A praga da cobiça faz-se fantasma da guarda
Em olhos dilatados com veias inchadas
Aqui as espadas penetram na carne viva
É onde os frutos maduros se tornam gangrena
Teu hálito doce faz-se veneno
Oh! Fugi, pois, ó crianças, em disparada,
Pois onde não há final feliz para os inocentes
Não haverá qualquer resto de paz para os iníquos.

O ANIMAL DA NOITE

Um animal de coração negro assombra a noite
Nos confins da nevoenta madrugada
Assombrando os homens e as crianças
Seus olhos resplandecem entre as árvores
Lanternas vermelhas que atraem suas presas
Seu urro rasga o sono dos inocentes como garra
Um dia parti em busca da fera maligna;
A direção é o rastro de ganidos e sangue
Não cai no entanto em nenhuma armadilha
Desvia-se das trilhas e leva-me ao desconhecido
Vejo o ser maligno de relance e acerto-lhe
Sem piedade com um sorriso em meu rosto
Sorrateiro cerco-o, com majestade de vencedor;
Detenho- me porém ante a visão entre os arbustos
Pele alva, cabelos vermelhos, os lábio suplicantes:
O bicho, oh, pelos céus! É uma mulher.