na
esquina vem dobrando a rua um baile de máscaras
onde
se podem ver todos os planetas
circulando
em torno de um mesmo denso e escuro sol
falsas
divindades em show de horrores
vidas
que seguem na estrada qual fantasmas
há
plumas e paetês de todas as cores
uma
confusão de sedas e brocados luminosos
há
guerreiros lado a lado com doutores das leis
há
piratas dividindo o licor com as feras
a
esfinge busca apoio nos braços dos gladiadores
escravos
debaixo dos olhos e suplícios de senhores
atena
expondo sua beleza guerreira
vênus
oferecendo seus lábios aos amantes
a
madrugada segue pelo infinito
as
túnicas vão se manchando de vinho e sangue
os
disfarces desfazem-se nos cantos do escuro
porém
as faces de pele e carne permanecem
imóveis
em falsos sorrisos e lágrimas
nesta
longa e infinita festa banhada de escuridão
- a
vida agarrada à vaidade de uma máscara -
onde a
euforia sob um disfarce dura uma hora
tudo o
que resta é esse vazio por uma eternidade
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