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domingo, 20 de abril de 2014

Arrependimento

Busco a mudança constante no dia a dia;
Ser melhor e mais forte, decidido.
Olho pra trás e vejo as feridas
De todas as dores e mágoas sentidas.

Sei não ser fácil; sinto-me frágil,
Frente ao pecado à solta no mundo.
Tanta sujeira libera um cheiro que, ágil,
Cola na pele, de tão duro e imundo...

Digo, pois a todo, caídos de joelhos,
A quem a vida foi escrita com tinteiro
Cruel, e se perderam, no mal a vagar:

Arrepender-se é se olhar no espelho.
Só após nos encararmos, por inteiro,
Podemos ter a coragem de mudar.

Descrença

Há uma escuridão que impede de enxergar,
Tudo à frente desta nossa eterna estrada.
Por vezes vê-se uma tênue e leve luz;
Às vezes se ouvem passos, choros, risadas...

Há nessas nossas vidas eterno desencontro
E pouco mais que nosso desejo que conduz
Em toda e qualquer direção, agora;
Pode ser um som, ou um vulto que reluz.

Pouco é agora confiar em algum outro
Que diga julgar trazer paz e esperança,
Ou qualquer outra solução tão esperada...

Então sem fé ou visão nunca vamos pra fora
Dessas sombras de tristeza e lembrança:
Triste é a vida, se não soubermos arriscar...

Vidas Descartáveis

As casas crescem, cada dia, mais e mais;
Porém, nunca antes pareceram tão vazias...
O mundo hoje é ágil; mas há embaraços,
Na forma como vivemos os nossos dias.

A modernidade sobre nós exerce um feitiço
À medida que acompanha os nossos passos.
E distraídos, não percebemos os sinais:
O amor e a amizade hoje estão em sumiço!

Buscam-se tanto os próprios desejos palpáveis;
Tudo é o agora, não há mais um futuro,
Nem se aprende a batalhar pelos sonhos...

O que fazer da vida nesse mundo medonho,
De violência, depressão, e dias escuros,
Numa nova era de vidas descartáveis?

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Sob a Chuva


“We‘re naked in the rain (...)”
Ronnie James Dio

Lágrimas chovem do céu sobre nossos segredos.
Não há memória dos dias que brilhávamos.
Antes de todas as coisas lá já estávamos,
E as vidas permanecem mesmo após o fim.
Mas os raios da estrela celeste não chegam aos nossos medos.
Só o teu retrato permanece em mim...
Nossas vidas deslizaram nos lábios da falsidade.
Olharam-se a atuar nos palcos tortos do espelho.
E então se passou a hora;
A demora não nos deixou ficar de joelhos.
Então as cortinas se fecharam,
Todos os fins então chegaram.
Pois houve indolência e incompreensão;
Os poderosos reinam com violência sobre nossa Nação.
Nosso mundo é enigma sem Esfinge;
Buscamos diamantes e só encontramos carvão.
Nossa vida é tempestade, não mais nos atinge;
Buscamos a riqueza, e soltamos as nossas mãos.
E agora os sentimentos padecem devagar na solidão;
Chove sangue, vem de escuras nuvens.
Somos testamentos sob a escuridão,
E estamos despidos sob toda a chuva...

Yin-Yang

O mundo é um yin-yang, girando sem parar.
Dos dois lados, duas faces da mesma moeda.
Seu equilíbrio é frágil, quase em queda;
Buscando-se, eternamente, põe-se a rodar...

No meio de tudo, a ordem e todo o caos,
Embora o equilíbrio se busque, em exagero.
O Universo parece ter infinitos desesperos;
Como, então, saber o que são o Bem e o Mal?

Nessa terra, há tanta dúvida e certeza;
Os dois lados, em tudo o que já vi.
Sucesso e derrota, puro sorriso, tristeza...

Assim são, por isso, os homens, tão desiguais!
Enquanto alguns são tão cheios de si,
Outros buscam-se sem se encontrar jamais... 

Vozes

Nesse mundo há tantas vozes, em divergência,
Que os homens se perdem fácil demais:
E assim, pedem provas, milagres, sinais,
Ao invés de ouvirem canções de advertência.

Qual a neve sob o sol, que verte em água,
Corações se espalham por todos os lados.
Esquecem as promessas e palavras dadas,
Causando, aos outros e a si próprios, mágoa.

Nosso sentimento é frágil, e inconstante:
Uma hora amor, e em outra, maldade.
Põe-se a culpa no mundo, a todo instante...

Mas sei que esta é a mais nobre realidade:
Por tanto que seja difícil, e cruciante,
Ser feliz é viver e pregar toda a verdade.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O Silêncio das Crianças

Por vezes não se ouve as palavras de nossas crianças.
Sempre os mais velhos têm toda razão...
E assim devagar se faz um legado de lembranças,
Que nem sempre em suas mentes é positivo.

Por vezes nem tudo é apenas imaginação,
Em suas pequenas vozes. Adultos, tão objetivos!
Será que um pesadelo é apenas um sonho mau,
Ou haverá algo escondido em suas mentes?

Por vezes achamos que nosso é o mundo real.
Julgamos que nos adultos está toda a sabedoria.
E fazendo esse papel, nos sentimos tão contentes...

Assim cresce a juventude à margem do que se sabia:
Suas dores, carências, medos e abusos viram trauma.
Oh! Pois! Como saber o que se passa em sua alma?