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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Vida Bandida

Foi só uma palavra maldita na hora e no lugar errado.
Não foi uma coisa sincera, mas foi planejado.
Veio como uma tempestade de raiva seguida de choro.
Veio com uma trovoada de outros desaforos.

A Paz foi embora,
O respeito só pediu licença.

Sem passos, nem posses, sem poder chegar
Pesos pelas costas para carregar.

Oh, vida bandida...

Veio uma guerra sem dó e o tempo se fechou
Os ventos açoitaram um porto que estava seguro.
Os ombros já não aceitam mais o meu chorar;
Lábios já não conseguem falar...

- uma história sem poder contar...

As costas largas se cansaram de tanto se rasgar.
Quando a porta se fechou, o amor se foi, acabou.
Sem casa, sem abrigo, já sem proteção.
Jaz aqui um corpo, pegue pelas mãos...

Oh, vida bandida...


Canção da Liberdade

Calai-vos, ó falsos! Quem lhes deu o poder
De decidir quem vive, por seu puro prazer?
Calai-vos, ó feras! Nós vamos sair
Das tocas criadas pra nos destruir.

Gritai de medo, falsas rainhas e reis,
Gritai e escondei-vos sem vossas leis!
Nossa fuga traz vosso desespero, pois
Esperais nossas justiça e a morte, depois!

A canção da liberdade soa pelo ar!
Traz-nos vitória e a consolação!
Somos agora livres! Devemos festejar!

Mas ao ver-vos, estendemos as mãos,
Aos medrosos, perdidos e sem lar
- Nosso legado é saber dar o perdão.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Ela Disse Talvez

Ela disse talvez
Girou sobre os saltos e ondulou os cabelos
Deixou-me um olhar. Breve.

Ela disse talvez
Deixou-me por um momento
Deixou-me por uma eternidade...

Mas contigo foi meu pensamento
Além das ruas da cidade...

Ela disse talvez
Fechei os olhos com o vento batendo
Em minha face.

Vi seus passos flutuarem na direção do horizonte
Andando pelas ruas na tarde de outono.

Vi seu vestido a ondular qual vendaval;
Tempestade sem rédeas, sem dono.

Ela disse talvez
E vi um mar em seus olhos verdes
Nas ondas de seus cabelos.

E vi um sonho nas nuvens da tarde.

Ela disse talvez
Foi um momento de luz em meio à escuridão;
Foi um contentamento em minha solidão...

Ela disse talvez.
E um sorriso seu mudou o meu dia.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Escombros

Quem sabe o que se esconde por trás destas casas?
Quem sabe o que se guarda por trás desses muros?
Quem imagina os mistérios mais escuros
Que a sociedade guarda embaixo de suas asas?

O que os corações não sentem os olhos podem ver?
O que as vozes calam o pensar consente?
Será que já vivemos num mundo tão doente?
Ou será que nossa mente não nos permite saber?

Oh! Triste mundo! Insano! Coberto de pecado!
Oh! Homens! Mulheres! Andando de mãos dadas!
Oh! Luzes que sob si escondem tantas sombras!

Vive-se hoje num mundo de tanta falsidade...
As mentiras não nos deixam atingir a verdade
E vamos nos erguendo sobre os próprios escombros!

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Nossa Terra

Este é o solo em que o sangue já é parte do chão.
Este é o povo que acostumou de tanto ouvir não.
Estas são nossas cidades.
São festas de uma sociedade.
Esta é uma realidade que se ignorou...

Em meio à inconstância
Vejo o mundo à distância
- não é isso que eu desejo.

Vozes em dissonância
Cedo em meio à ânsia
Quero saber seus segredos.

Esta é a terra em que tudo acontece.

Este é o estado em que nossa vida ficou:
Dias selvagens de dor e vantagem
Ansiosos por um amanhã.

Falsas imagens nessas paragens
Levam a vidas pagãs.

Crença tão grande em futuro distante
Enquanto a fome está ao nosso lado.
Somos brinquedo em meio ao medo
Da violência desenfreada...

Esta é a terra em que não se adormece.



sábado, 4 de janeiro de 2014

A Morte Demora Uma Vida Inteira

As mesmas histórias se passam todos os dias.
Alegrias e dores se alternam na cidade.
A vitória de uns é de outros tristeza.

Passam-se horas intensas e frias.
Momentos de prazer. Medo. E vaidade.
Nos corações se dividem inocência e vilaneza.

E nossos passos? Pra onde vão?
Vão pra baixo da terra?
Vão pros corações de todos os homens?

Na cabeça passam dúvidas enormes.
Nem com os dias se encerram.
E assim seguimos, ora doentes e sãos...

Passa-se o som. Passa a barreira.
Passam as uvas e passam os rios.
O tempo vai dando passagem à vida.

Só não passam esses nossos vazios...
Não passam na mente as vozes doridas.
E a morte demora uma vida inteira...

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Nas Profundezas do Inconsciente

A mente é um grande mar de alegria e medos.
Quem pode mergulhar em meio a seus segredos?
A imaginação é o nosso solo menos desvendado.
Que sabe o que haverá lá a ser cultivado?
Há um mar de luz embaixo dessa linha d’água:
Aqui se escondem amores! Dores! Tantas mágoas!
Há montanhas de corais e devaneios a reluzir
Guardando todo pensar! Pesar e refletir!
Quem sabe as feras que se escondem nessa profundeza?
- Desejos! Ansiedade! Talvez a vilaneza?
Quem sabe o seu tamanho e a envergadura?
- Humildade ou falsidade? Amor ou impostura?
A realidade é um rio em terreno plano:
Desgasta tudo levando-nos até o oceano!
Vem! Vem nadar! Ora! Mergulhar
Nas ondas desse mistério azul...
Vem! Vem sonhar! Ora! Vem dançar!
Conhecer o inconsciente de Norte a Sul...
Voando pelos céus da noite a nossa frente
Sobre os tesouros bem embaixo, da nossa mente...
Aqui é onde nós vivemos em engenho e arte;
Onde a gente acontece em nossa maior parte.
Quem vem até aqui dificilmente quer voltar:
Nosso mundo deseja apenas nos derrotar.
Viver no sonho é arriscado e por vezes perigoso.
Nem sempre é belo e nem maravilhoso.
A fantasia precisa da realidade e vice-versa;
Até o silêncio às vezes depende da conversa.
Despertando devagar a cabeça vem à tona;
Agora é a hora de ir à luta, ir à lona!
Como o dia e a noite são o sonho e o real,
E a vida e a morte seguem como vento no areal...

Tudo que Restou

Corremos contra o vento oriental.
Colhemos a palha no vendaval...
Na boca o amargo gosto do veneno
De uma vida sem momentos serenos.

Deixamos para trás a Terra prometida
Deixamos tudo se perder na vida...

E agora tudo o que restou
Somos você e eu.

E agora o que o coração suportou
Não é o que o destino prometeu.

Quantos frutos proibidos há no mundo?
Quantos grandes edifícios do absurdo?
Há tantas vozes que voam no vento.
Dá pra se confundir a qualquer momento...

Vivemos num mundo construído na areia.
Alicerce já ruído pelos pecados nas veias.

Vem o vendaval e a chuva e o temporal...
Vidas se separam sem final.

Há dias em que falamos sem pensar.
Logo o destino a nos ensinar...

A felicidade é breve e alegre cena.
Ser feliz está nas coisas pequenas.

Do que Precisamos?

Precisamos de amor! Precisamos de paz!
Ficar juntos o tempo todo!
Começar tudo de novo!
Tudo e nada! Mais e mais!
Precisamos de um lugar!
De espaço e proximidade!
Ser jovens em qualquer idade!
De uma casa junto ao mar!
Precisamos ser fortes! Inteligentes!
Procurar abrir a mente! Contar com a sorte!
Precisamos nos purificar
Durante este novo verão!
E da emoção
Jogando-nos velozes ao mar!
Precisamos das ondas se quebrando
Devagar no oceano!
Precisamos de asas pra voar...
- Diga-me pois! Não te entendo!
Do que precisamos?
- De um ao outro! Nesse momento!
Já que nos amamos...

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Perdido

Acordo devagar, meio atrasado, em meio a um novo mundo.
Vejo tudo tão mudado, diferente, no peito um coração perdido...
Mais um ano se foi, será que eu não vi?

Mais um dia e a Terra girou, e eu ainda aqui...
Os olhos não reconhecem a cidade,
Os ouvidos não lembram da música:

- Onde estou?

A boca não reconhece o gosto, o nariz não sente o perfume:

- Pra onde eu vou?

Os passos apertados, voz embargada, a caminhar pelas calçadas.
O futuro à frente, passado na mente
- pra não chorar, dou uma risada...

Parece que, agora, depois da demora,
Dá vontade de fugir...

Uma ideia na hora, sei como ir embora:
- Só me resta, pois, deitar e voltar a dormir...

Fecho os Olhos...

Fecho os olhos e abro minha mente
pra um novo mundo à minha frente.
Respiro devagar e controlo o medo;
dentro da escuridão, tantos segredos...
Desligo a TV e a rede social,
deito tão devagar, busco o meu ideal.
Vejo homens de deformados espelhos;
Em frente ao dinheiro, estão de joelhos...
As gentes dançam conforme o mundo
qual dados, tão vagabundos.
Nesse mundo, nada mais antigo que a
novidade;
O consumo é amigo que abraça a
Sociedade.
Luzes de prédios vão formando tantas
malhas;
Em meio à fartura, pra nós só sobram as
migalhas.
Fecho os olhos nessa nova sensação;
Há fé e desejo nesse meu coração...