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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

VASOS QUEBRADOS (20 ANOS DEPOIS)

Passado de tumulto e guerra, de tristeza e discussão.
Nunca acabou, vive aqui, dentro de nós.
Infâncias roubadas, sonhos violados.

Vidas distantes, que cresceram na solidão.
Em meio ao vazio, soam ecos de tantas vozes...
Há feridas ainda não cicatrizadas.

Por que elas não se calam?

Não, por favor... Não posso aceitar...
É assim mesmo... É sim, senhor! ...

Correndo longe contra o tempo,
Tristes foram tantos passos a andar.
Com os pés sobre as pedras,
É difícil prosseguir após tantos anos.
Para onde foram todas as juras e planos?
Vamos embora... Vamos agora!

Vamos sair deste lugar... Eu vou cuidar do que é meu...
A saúde enfraqueceu por causa de tudo o que aconteceu...

Vidas separadas, elos fracos não se quebram.
Vidas distantes, elos fortes se celebram.
Vasos quebrados, pedaços por todos os lados,
Vasos ruins sobreviveram em nossa ilusão.
Flores manchadas de lágrimas em nossa plantação...
O nosso presente foi um futuro congestionado;
Somos seres transitivos, mal transitados.
Faces cheias de lados, onde a luz se confunde.

Você devia sumir daqui... Você é ruim...
Você vai me machucar... Não vou voltar...

Ontem andando lado a lado; não éramos mais os mesmos.
Tantos anos já passados, tanta água já passou...
Tanta história relembrada.

Há um lugar marcado neste coração que ficou!

A HORA DA CAÇA

Há um momento em que todos falhamos, a hora da queda, momento inevitável, apesar de todas as providências, das precauções, dos sonhos, diz a voz do Destino. Musa tão bela quanto cruel, imparcial, não vê nossos rostos chorando? Os filhos no colo? Os amantes, os rostos antes do assalto, do acidente, as crianças prematuras. Simplesmente acontece, a barra dos vestidos se agita, tocam-se as castanholas, cloc, cloc, pois a vida é um tango em que a gente dança, peça em que se faz papel de bobo, com festa, bolo, brigadeiro e direito até a cartaz, caramba... O cara quebrou a cara e ainda acham que é um bom ator, aplausos, aí a pergunta inevitável, quem é que nunca foi um personagem, alguns convencem aos tolos, aos sábios, mas não para si mesmos, cara, acho que falei demais, não? Não esquenta. Destino, um dia a gente aprende, a Tristeza não bate ponto, nem de cartão, nem de fervura, é ponto zero e ponta firme, quando vem, chega mesmo. É virtuosa, pontual e não decepciona! Quem faz isso somos nós, homens e mulheres.
Somos embriões. Do futuro. Do porvir, do porventura, por acaso alguém não concorda? Não? Ótimo, jogue pois as cartas na mesa e vamos ver quem é melhor, azar por azar, a gente chega num consenso e perde junto. Talvez seja a nossa hora. Cara, você tá amargo hoje. Cala a boca! EPA, você tá querendo que seja seu dia de azar, né? Perdeu a noção do perigo? Assim, lembramos que há coisas piores, a tristeza leva por estradas tortuosas, guia de cego com ótima visão e péssimos intentos, a gente procura uma flor e mete sem dó a mão no espinho. A vida é a rosa mais sedosa, mas é a que mais machuca, a dama mais bela só libera seu perfume à noite, na hora da escuridão, acupuntura, na qual se deita para curar a coluna sobre uma cama de pregos mortais. O viver é beijo de vampira, lábios de doce veneno e dentes famintos. Vou dançar com você, Musa, você zoou comigo, vou dar o troco. Vou superar você com um sorriso no rosto e a Esperança ao meu lado.