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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

AMANTES

Os dias, os meses, os nossos desejos
Devagar nos traíram e afastaram
O que houve com o sentimento?

Houve mentira em cada beijo
Além do que nossas almas sonharam?
Era eterno e desmanchou-se num momento...

Nunca mais fomos como antes.

Um dia, afinal, seremos amantes?

LÁGRIMAS E DIAMANTES

Em teus olhos
Viajo pelos céus
Cruzo os mares
Sem rumo ou cuidado

Em teus passos
Meus sentidos acompanham
A barra de teu vestido
Sem pressa de voltar

Teu perfume me faz escravo

Em teus lábios
Desejo me perder...

Mas és veneno!
Mas és ilusão
Em seu poder cruel sem sentimento

- nem sempre o desejo é felicidade

Em teus olhos há lágrimas ou diamantes?


IGUAIS E DIFERENTES

Você é tão igual a mim
De um jeito que eu jamais sonhei ser.
Olho nos seus olhos, sim,
Me incomodo em tanto me ver.
Juntos somos diferentes,
Longe ficamos tão iguais.
Perto estamos tão em briga
Mas longe é saudade demais...
Os olhos falam quando os lábios consentem,
O rosto não transparece,
Mas os gestos não mentem.
Somos água e óleo a lutar
Somos águia e dragão.
Ouro e prata disputando a riqueza...
Mas como a lua e o sol
Mas como o mar e as nuvens
Sempre nos encontramos...
Caminho, voo, flutuo pelo céu.
Em fúria e raiva, despedaço os sete véus,
Mas sempre em fuga desvairada,
No dia ou noite enluarada
Tudo me leva de volta ao seu lado...

DESEJOS

Quero estar com você
Além dos sonhos
Além dos dias
Das paredes de nosso quarto
Quero estar entre seus braços
Além dos dias e das noites
Do azar e da sorte
Através dos tempos e desejos
Quero seguir teus passos
Além das dunas e areias
Por entre as chuvas e marés
Quero andar entre as estrelas
Tocar a lua e o sol
Quero me perder em seu beijo
Dançar além do arco-íris
Quero nadar sob as cachoeiras
E adormecer entre as pedras
Quero encarar qualquer mistério
Quero armar um caso sério
Desde que esteja ao seu lado
Que estejamos de braços dados

- Tudo o que quero é lhe encontrar...

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O RIO SEM FIM

Lágrimas rolam devagar,
Falam mais alto que as palavras
Ao navegar neste rio sem fim.
A conversa é uma arte perdida.
De longe, há sinos que tocam sem parar,
- ora sons doces, melodias macabras,
Calam longas lembranças em mim
Do que ficou pra trás com a vida.
Quero seguir junto aos meus amigos
Pois, juntos nos postamos, divididos caímos.
Hoje é festa no lado escuro da lua!
Seremos lunáticos na mente dos homens
Como nos anos mais felizes de nossas vidas.
Mas não há mais tempo para matar;
Mas o carro novo,
O caviar e a dia de cinco estrelas falam mais alto
E a vida assim nos separou.
Nosso horizonte não é mais o do tempo
Em que éramos jovens.
Nossas almas eram como loucos diamantes,
Hoje somos só mais um tijolo no muro.
Tudo o que espero é repousar, calmo, tão devagar,
Após caminhar até o sol brilhando
E, sem ficar confortavelmente entorpecido,
Dormir entre o domínio dos astros
Como em um travesseiro de vento.
Oh! Quem dera que vocês estivessem aqui,
Quem dera que você estivesse... Aqui...


(Homenagem a “The Endless River”, álbum que marca o fim dos 50 anos da carreira do Pink Floyd)

terça-feira, 25 de novembro de 2014

SORRISOS

Os anos passam e os passos diminuem
Todas as certezas se vão
Pouco sobra para lembrarmos
Quem sabe se a vida se passou sem se vermos?
Tudo muda e mudos de espanto
Olhamos pelos dias com medo da verdade
Talvez ela tivesse sido a mentira de ontem
Talvez um grande amor tivesse sido só desejo
Vontade que passou
Copo d’água que ficou vazio ao sol
Nem sempre o sonho suporta a realidade
Mas tudo se suporta no fim
E ao olhar para trás as pegadas no chão
Sabe-se que valeu a pena:
Os sorrisos valeram toda a tinta da tristeza...

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

NASCE A MAIS BELA HISTÓRIA

Um poema
Como a mágica solta no ar
Como a palavra de ouro perdida.
Um conto, uma crônica, uma ideia,
Capaz de nos elevar
Como o cheiro da terra após a chuva caída.
Um sonho em forma de som
Uma palavra em agradável tom
Como as ondas na praia.
Um descanso sentado na rede
Água pura a matar qualquer sede
- Que a tristeza se esvaia...
É assim que se vasculha
As palavras dentro da memória
E assim nasce a mais bela história:
Só para quem, dentro de si, mergulha...

terça-feira, 18 de novembro de 2014

ESPÍRITOS DA LIBERDADE

Alguns seres se recusam e evitam a quietude
Vagam sem destino entre vagas encapeladas
Como guias jazem firmes na mudança
Como pássaros lançando-se às correntezas
Em eterna busca por perguntas insaciadas
Atravessam os céus em voo de esperança
Suas penas são rastro para fugir das tristezas
Sua firmeza é a inconstância por virtude
Há espíritos que enxergam a verdade da vida
E escolhem uma razão pela qual lutar
Embora os vejamos loucos em causas perdidas
Solitários passam sem o povo os notar
Junto-me a vós nessa solidão atingida...
Qual será a alma que irá me completar?

SÓ O QUE SE QUER QUE VÁ...

Pouca coisa sobrevive ao tempo, e sua passagem.
Veremos no final, quando menos esperar...
Passam os passos e ficam as perdas,
Vão-se as dores e ficam as lembranças.
Deixam-nos as certezas,
Mas continuam as perguntas.
As imagens se desfazem no espelho,
E da beleza só sobram as fotos.
Os sentimentos por vezes permanecem,
Por vezes se esvaem
- Desde o amor até o ódio.
Até o mais puro ouro pode se apagar.
Só o que resta é a nossa colheita,
Os frutos das nossas obras.
Haverá um fim para a morte? Talvez,
Nas memórias de nossas vidas.
Tudo passa? Não! Só o que se quer que vá.

AS RESPOSTAS MORAM EM NOSSOS CORAÇÕES

As dúvidas são o que movem nosso mundo.
Sábios erguem-se professando sua luz,
Jovens se calam, procurando assim ouvir;
Sãos e doentes unem-se em discussões.
Mas a descrença insiste em nos perseguir...
Como saber se a voz que nos conduz
Não é, pois, a das mentiras, e das ilusões?
Estará a razão nos reis ou nos vagabundos?
Assim, ficamos cegos de tantas visões,
Surdos de tantos sons, assim... Confusos,
E perdidos, temerosos, entre essas escoltas...
E nos esquecemos, nesse mundo tão difuso,
Que as perguntas estão à nossa volta,
Mas as respostas moram em nossos corações...

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

NAVEGANTES

A vida é como um pequeno barco no oceano.
Em meio ao mar, veleja, nem sempre ileso.
Tudo depende das ondas e dos ventos,
Daquilo que esperamos em nossos pensamentos.
Há dias em que ficamos perdidos, sem leme;
Assim, devagar a nossa alma geme.
E nessas horas voam sentimentos em engano,
Como uma vela rasgada ao mastro preso.
Às vezes precisamos de um apoio,
Dos conselhos de um capitão compreensivo e humano
- Um Mestre que possa nos ajudar.
Nossas escolhas podem ser trigo ou joio...
E assim, com fé e esperança, podemos navegar.
Qual o destino que buscamos ao longo dos anos?

A ROSA

Cresce mais uma rosa em um jardim qualquer.
Devagar, abre as pétalas, como braços;
Espalha-se em direção ao sol e ao céu, feliz.

Como se buscasse olhares – de homem ou mulher? –
Cobre-se no orvalho da manhã, e seus traços,
Ficam cada vez mais belos. Que lindo matiz!

Mas em alguns dias murcha mesmo tão bela...

Será que as vaidades nos fazem ser como ela?

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Uma Clareira na Floresta Escura

O amor é uma clareira na floresta escura.
É uma fera rasgando a carne do mundo.
É noite de chuva após dia de verão,
Flor que cresce no meio dos pântanos,
É um perfume suave no meio da festa.
Rouba para si todas as atenções,
Atrai todos os pensamentos,
Marca a pele e a alma qual ferro em brasa.
O amor é a mais nova descoberta
Que passou a eternidade sob nossos olhos.

Tudo O Que Permanece

No fim os passos o tempo todo giram em volta
E nossas linhas retas são apenas escrita torta...
No fim tudo o que é novo apenas envelhece
E tudo o que se inicia tem um fim e adormece
No fim as contas todas dão um só resultado
E o que se sabia se revela mais do que errado
Por último não se precisa de mais outra lista
E acaba-se dançando sozinho em toda a pista
No fim a gente não sabe se foi o último que soube
A gente se livra de tudo o que não mais coube
E todos os caminhos que tanto tece...
A brisa num dia de sol, um mergulho no mar,
Um abraço e um beijo de amor, a nos fazer sonhar,
São tudo aquilo que através do tempo permanece...

Torre de Babel

Beijo na boca
Torre de Babel
Confusão das línguas

O Que o Tempo nos Deixou

Podemos ver agora o que o tempo nos deixou?
Podemos ver o que ficou pra trás?
Há como colocar na palma das mãos os sentimentos,
Há como separar os nossos momentos?
Talvez pudéssemos viver tudo de novo
Talvez pudéssemos correr em meio ao povo
Contando os nossos segredos
Será que o coração virou apenas um brinquedo?
Talvez agora seja o fim? Ou enfim tanto faz?
Será que ainda há espaço pra o que a gente sonhou?
No final de tudo estamos lado a lado e tão separados
Em nossas belas casas mais e mais espaçadas
Tudo porque sem fé pensamos em não descer do muro
E esquecemos que o presente é um passo no escuro...

No Fim Sempre Ainda Há Muito

Poucas coisas são belas. Poucas coisas fascinam. Pouco é o que nos chama a atenção. Nos faz refletir. Nos faz pensar. Escasso é o que nos faz sonhar.
Raras são as coisas que nos tiram do escuro. Como a luz. Doce raio de luz... Rompe as trevas na madrugada e anuncia a manhã. Um novo dia. Uma nova história. Uma nova vitória?
Não é comum ver coisas como um raio de sol na janela. Vidros cortinados que deixam passar manchas. E lâminas incolores ganham vida e movimento. Das folhas. Dos passos. Dos pássaros.
Não há muito que se possa comparar à chuva. No fim de tarde. Não há o que vença o som dos telhados. Nas folhas das árvores. Nas calhas. Chuva que embala os sonhos dos justos.
Quase nada se compara a um copo d’água.  Gelada. Num dia de calor. A água fresca. Límpida. Bebida num gole na palma da mão. Rasgando a sede. O calor se vai devagar. Fica esperando? Agora não importa!
Pouco há como o aroma da rosa colhida. Na manhã. O sabor da fruta. Orvalhada. O caminho no meio do trigo no vento. Os rios que despencam. As cascatas que surgem nas matas frias e neblinadas.

Nada há? Não. No fim sempre ainda há muito.

Nada Acontece Sem Que Alguém Consiga Acreditar

Há que se encarar as fraquezas no espelho
Mesmo que pareça demais
Um passo no escuro, um trauma ou sofrimento.

Despido de vaidade, ponho-me de joelhos.
A visão é a recompensa da fé,
E a fé é o que nos dá visão.

Qual máscara nos impede de viver feliz?

Nada acontece sem que alguém consiga acreditar.

Luz do Sol

Luz do sol
Na minha escuridão
Não estou mais só

Breves Momentos...

Como um dia de chuva durante um verão
Como uma leve brisa após a tempestade
Breve momento de silêncio nesta cidade
Ou algum segundo de fala de um coração

Como um gole de água segurado na mão
Um momento humilde entre a vaidade
Como uma juventude que resiste à idade
Uma lembrança que sobrevive na solidão

Como o sol que se vai após apenas um dia
A estrela mais bela que jamais nos luzia
Ou uma esperança para alguém que sofria

É a felicidade que nos é tão breve e fugidia.
Pode-se estar sorrindo em uma multidão
E viver em prantos dentro de um coração...


Água Que Flui Pelas Pedras

A poesia é como a água que flui pelas pedras.
Como as folhas que voam ao vento.
Não se pode segurar em mãos um raio de sol,
Um pássaro em voo,
Uma festa num dia de tarde.
A poesia é como o amor:
Quando se ama, deixa-se livre.
Os poemas são como os beijos roubados:
Vêm e vão, sem hora para acabar,
Viram-nos de ponta cabeça e deixam saudade.
Se quiser conhecer alguém, leia-o:
É nos versos que a alma se abre.

A Vida É Movimento

Somos rios. Que correm. Livres. Dentro da escuridão.  Não há transparência. Não se pode ver o fundo. Somos opacos. Secretos. Misteriosos. Somos mistério e segredo.
Somos como as pedras que rolam na base das águas. Sentimentos inquietos. A vida? Ela nos leva. Em curso chocamos. Uns contra os outros. O tempo lima nossas arestas.
Somos como as folhas. Num dia de outono. De repente caímos das árvores. No leito de um ribeiro. De repente tudo pode mudar. Evoluir? Fugir? De repente pode tudo cair? Ou apenas passar? Será mudança benéfica?
Ao longo do tempo a corrente. Ela nos leva... Para onde? Algumas vezes ficamos presos nos lagos. Em outras podemos atracar nas margens. Sobre alguns pode brilhar o sol... A lua...
Alguns ficam no raso e contemplam o arco-íris. Mas há os que se perdem nos mares da vida. Simplesmente somos. Existimos. Supomos. E seguimos.

Somos rios. Que correm. A vida é movimento.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Como se Não Houvesse Amanhã

Ser amado é ser amante
Ser amante é ser humano
Ser humano é ser errado
Errar faz parte do ser amado.

Ser forte é saber ser fraco
Fraqueza é não saber viver
Com alguém ao meu lado.

Amar é uma moeda de duas caras
De um lado a força
O poder e a razão
Do outro o sentimento
Pensamento e imaginação.

Sendo diferentes somos tão iguais
Inseparáveis
Só assim se deixa os problemas pra trás...

Amar é faca de dois gumes
Da dor não estaremos imunes
Mas quando se está machucado
Mais amor queremos viver...

A única forma de ser amado é amando
Incondicionalmente
Total e loucamente
Como se não houvesse amanhã
Como se a noite fosse vilã

Como então tudo pode acabar?
Amor é um cristal de muitas faces.


Por Trás de Todas as Coisas

Solitário ando pelas ruas da cidade
Em meio à multidão
Sem rumo penso sem parar
E o mundo segue em agitação
As faces gentis se tornam falsas
Escondem olhos sem alma
Os dedos apontam sem parar
Tanta ira se dispara
Anseio por perguntas
Num mundo de respostas
A vida e seus assuntos
Já pesam tanto em minhas costas
O futuro já parece o passado
E o presente é uma ilusão
Talvez seja exagerado
Mas já não vejo uma razão
Por trás de todas as coisas
Não há lugar pra virtude
Nessa terra de impurezas
Onde a pose e a atitude
São do povo a única firmeza
E as máscaras se espalham
Por toda uma Nação
O País do sol se torna em sombras
Atrás de nossa humilhação

- Sou refém de mim mesmo...

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Encantador de Serpentes

Sou quem ganha o espaço na marra.
Sou a voz da lamúria,
Sou um momento de fúria.

Eu virei as costas contra a Nação;
eu paguei o preço da solidão.
Sou mera corda de uma guitarra

- sou energia, pura distorção.

Sou a voz das ruas.
Sou fruta podre no cesto da cidade.
Sou arlequim mascarado atrás da verdade

- sou a eternidade, congelada de repente.
A minha realidade pode não ser a sua.

Sou encantador de serpentes.

Relatividade

Há um universo paralelo entre cada sentimento.
Verdade e mentira se alternam em cada pensamento.
Nosso mundo é uma escuridão
Onde os passos caminham, no vazio,
Sem direção.

Lábios se calam de tanto falar...

Há tanta coisa ainda pra se dizer
Mas nesse instante não vai caber.
Nesse espaço o tempo é tão veloz;

Tudo é relativo
- e o nada agora somos nós...

O mais denso negro
Traz em si todas as cores.
Há tantas lágrimas atrás de nossos sonhos;
Mas mesmo no lixo ainda crescem flores.

Quantas histórias se acabam ao virar a página?