derrama-me
qual denso sangue sobre o estéril solo
longa
cauda escarlate a estender-se sob os passos
lenta
qual o compasso das horas
densa
como os pensamentos mais secretos
voraz
espraiando-se qual mar
espalha-me
qual o sol numa manhã de inverno
rubra
a espantar o negror de uma noite eterna
em
névoas a cobrir os lagos escondidos nos bosques
sorve-me
qual teu pão
ávida
como a mais cruel das víboras
devora-me
a pele e a carne até satisfazer-te por total
e que
sigamos para todo o sempre qual galeão pirata
sem tempo
ou espaço
vibrando
como o som de uma louca orquestra ébria
tremulando
tal qual cidade em terremoto
de
hoje para sempre e meia volta até o início
qual o
sabor da fruta vermelha partilhada num beijo
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