sou
pedra tocada por um anjo de lava
sou
vaso de barro partido espalhado
recolho
meus pedaços pelo piso da casa
a vida
fez-me visitar
aquele
lugar silencioso e escuro
aquela
sombra que fiz questão de esconder
mergulhei
até o final do poço
de lá
voltei tingido de cores perversas
quero
sentir um coração pulsando
quero
tocar uma alma inocente
voltar
a sentir a paz e a afeição
pois
éramos pássaros presos na gaiola
hoje
houve um trato quebrado
e aqui
permaneci sozinho como escravo
o
coração sente ódio e desprezo
a
cólera contamina os sentidos e a razão
uma
língua desliza pelo meu rosto
rasga-me
com saliva envenenada
toque
de fogo e de lâmina afiada
navalha
que desce certeira
diga-me
pois
podes
lembrar-se das asas que me cortaste?
Nenhum comentário:
Postar um comentário