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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

CRISÁLIDA DE CHAMAS

uma vez vimos juntos os frutos entre as videiras
os efêmeros e breves rios de chamas
que se uniam ao eterno mar de estrelas
onde havia fogos em momentos tristes
e as únicas lágrimas eram da alegria dos jovens
andamos sobre as árvores da floresta escura
até atingir o sol e a lua como guia
mas por vezes fomos cegos e nos perdemos
apenas pelo orgulho de seguir em frente
havia víboras e escorpiões espalhados no caminho
mas soubemos nos esconder nas cavernas
onde havia surpresas de pedras coloridas
e luzes intensas que pendiam do teto
por vezes as pedras feriram nossos pés
espinhos pelejaram cravados em nossos braços
por qual motivo nos separamos nesta estrada?
talvez porque tudo tornou-se fácil
não havia mais aventura nem magia sob a aurora
o que era azul viril tornou-se cinza cotidiana
era púrpura e dourado e jaz sob a ferrugem
mas na mente tudo o que sobra é a velha promessa
do coração batendo no vazio da vida
e isso basta para duas feras teimosas
- um tigre e uma pantera que jazem
prontos para uma caçada final na madrugada
uma vez vimos juntos os frutos entre as videiras
e lá aguardam eternos
morangos e uvas pendendo ao alcance das mãos
para despertar-nos como borboletas de fogo
desta crisálida de chamas que se chama coração


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