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sábado, 12 de julho de 2014

Flores Urbanas

A cidade se abre a minha volta como uma flor.
Prédios, casas, carros, todas as coisas se movem.
Sobre os pés o asfalto e o concreto se revolvem;
A velocidade é da urbe, o licor...
As luzes resplandecem desde o alto dos céus.
Nada parece deter as coisas quando passo.
Meus passos caminham com pressa pelas pedras.
A metrópole cresce, desde o mar até as serras:
Busco, em silêncio, seguir aos seus traços...
Há pedras que vejo de relance, crescendo,
Há gotas de chuva que viram mares nas calçadas.
Sinto-me gota de orvalho sobre as folhas.
Sinto-me rei em frente aos semáforos...
Toda a cidade está à espera de nossa passagem...
Entro num trem, passo no metrô;
Nas curvas da vida, pra onde eu vou?
Há opulência e neons por todas as partes.
Há sons de risos vindos do poder e dinheiro.
Perguntas ao vento, longos pensamentos...
Onde estão os rostos da cidade que já não vejo?
Onde estão as gotas do suor dos trabalhadores?
Há desejo à vista em tantos abraços e beijos;
Há, no que vejo, qualquer traço de um amor?
Há uma gota de sangue por trás das janelas,
Através das árvores plantadas no centro.
Há uma imagem antiga, borrada, não me lembro...
Sou estrangeiro em uma terra estranha, perdido,
E a vida se passa tão veloz, como num devaneio.
A cidade se abriu tão devagar, em seus mistérios;
A metrópole se fechou tão repentina, deixou-me de fora.
Essa não é mais a minha terra; adeus!
Parece haver aqui uma cidade dos sonhos;
A realidade talvez seja apenas meu grande pesadelo...

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