A cidade se abre a minha volta como uma
flor.
Prédios, casas, carros, todas as coisas
se movem.
Sobre os pés o asfalto e o concreto se
revolvem;
A velocidade é da urbe, o licor...
As luzes resplandecem desde o alto dos
céus.
Nada parece deter as coisas quando
passo.
Meus passos caminham com pressa pelas
pedras.
A metrópole cresce, desde o mar até as
serras:
Busco, em silêncio, seguir aos seus
traços...
Há pedras que vejo de relance,
crescendo,
Há gotas de chuva que viram mares nas
calçadas.
Sinto-me gota de orvalho sobre as
folhas.
Sinto-me rei em frente aos semáforos...
Toda a cidade está à espera de nossa
passagem...
Entro num trem, passo no metrô;
Nas curvas da vida, pra onde eu vou?
Há opulência e neons por todas as
partes.
Há sons de risos vindos do poder e
dinheiro.
Perguntas ao vento, longos
pensamentos...
Onde estão os rostos da cidade que já
não vejo?
Onde estão as gotas do suor dos
trabalhadores?
Há desejo à vista em tantos abraços e
beijos;
Há, no que vejo, qualquer traço de um amor?
Há uma gota de sangue por trás das
janelas,
Através das árvores plantadas no
centro.
Há uma imagem antiga, borrada, não me
lembro...
Sou estrangeiro em uma terra estranha,
perdido,
E a vida se passa tão veloz, como num
devaneio.
A cidade se abriu tão devagar, em seus
mistérios;
A metrópole se fechou tão repentina,
deixou-me de fora.
Essa não é mais a minha terra; adeus!
Parece haver aqui uma cidade dos
sonhos;
A realidade talvez seja apenas meu
grande pesadelo...
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