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domingo, 30 de março de 2014

O Último Homem da Terra (A História de Éter)

"E o Senhor falou a Éter e disse-lhe: Vai. E ele foi e viu que as palavras do Senhor tinham sido todas cumpridas; e terminou seu registro (e a centésima parte não escrevi); e ocultou-o de um modo que o povo de Lími o encontrou.
Ora, as últimas palavras que foram escritas por Éter são as seguintes: Se o Senhor desejar que eu seja transladado ou que eu cumpra a vontade do Senhor na carne, não importa, contanto que eu seja salvo no reino de Deus. Amém".

(Éter 15: 33-34)
Então o homem postou-se de frente à cidade
Então admirou-se dos altos prédios das pontes gigantes
Das praças arborizadas e das luzes.
Então encantou-se e sonhou-se poderoso.
Pôs-se a viajar pelos rios de concreto
E nas asas dos aviões.
Deixou de dormir nas noites insones.
Acelerou perigosamente nas vias expressas
E correu entre as grandes casas nobres.
E emocionado chorou com os poentes que viu sobre as altas colinas.
Mergulhou no sem fim das mais belas praias e viveu feliz.
Mas um dia abandonou estas terras.
Partiu sem deixar aviso ou bilhete.
Não olhou para trás.
Deixou sem medo todas as belas mulheres.
Abandonou os carros velozes.
E nunca mais foi visto ali.
Nunca lhe perguntaram o motivo, a causa, a razão, o desejo.
Mas sabia que não poderia ficar.
Sabia que tudo teria seu fim
Dizia a si mesmo que o tempo chegava
Não duraria pedra sobre pedra, tudo chegaria ao fim.
Por isso despediu-se, por isso preferiu a floresta, as árvores,
Acampou nas campinas e nos prados
Com a água dos rios e as frutas das matas.
E sabia que, se um dia, se tudo acabasse,
Se as pedras caíssem e não houvesse ninguém,
Sobraria a esperança de um homem na Terra,
Pois estava no mundo sem ser do mundo.
O último homem da Terra.
Então o homem postou-se à frente de tudo,
E então o Senhor postou-se à frente do homem.


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