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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Travessia

Ao longo do tempo atravessei longos mares.
Vi o por do sol em terras tão desconhecidas.
Minhas mãos tocaram a neve sobre as montanhas.
Os passos apertaram-se pelas matas escuras.

Ao longo do tempo corri entre os prados e neblinas...
Procurei buscar as canções mais antigas.
Sorri entre os encontros e luzes das cidades.

No entanto olhos famintos eu tinha;
Deixei o coração à deriva nas esquinas do mundo.
A mente foi-se turvando nas mentiras dos homens
E os remos apenas levaram-me de volta...

No entanto as feras me apartavam pelos desertos;
Sobre mim ouvi o rugido dos lobos
Rasgando a minha carne
Punindo-me pelos meus atos impensados.

Só os tempos ensinaram-me toda a verdade...

Só os dias mostraram-me o tamanho de tanta vaidade:
- É veneno que cega e nos queima toda colheita.

Nossos trigais ressecaram antes do tempo;
Nossos rios secaram em um momento.
As areias das dunas nos cobriram.
Para mim só as tempestades sorriram...

Busquei o perdão vivendo no errado.
Busquei redenção nos portões da maldade.
Molhei os lábios no fel da falsidade.
Pelo mundo logo fui dominado...

Tudo por ter deixado de lado os espelhos:
- A minha imagem...
O meu coração...
Todas as minhas verdades.

Descobri que para vencer a travessia e encontrar a paz
Precisava descer uma luz pela mente
Desvendar do coração os segredos.

Enfrentar os ratos;
As cobras e os escorpiões lá estavam.

Só assim encontrei o fim da batalha.
Pude respirar o ar doce da vida.

Em vão busquei pelos céus nesta Terra.
Hoje sei que só posso encontrá-los assim:
Entre o Bem e o Mal há eterna guerra;
A vitória vem de acordo com o que há em mim.


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